terça-feira, 15 de maio de 2018

Blockchain e dispositivos inteligentes contra as fraudes no agronegócio

As tecnologias podem transformar a maneira como toda a cadeia se relaciona, garantindo mais transparência nos processos

Existem diferentes tipos de fraudes no setor de agronegócio não só no Brasil, mas em todo o mundo. Um dos mais emblemáticos casos brasileiros foi descoberto recentemente pela operação Carne Fraca, da Polícia Federal. A instituição desvendou um esquema de corrupção entre fiscais e frigoríficos para burlar controles sanitários. Mas ele não foi o único. Em 2017, o Ministério da Agricultura retirou 800 mil litros de azeite de oliva do mercado com indícios de fraude, envolvendo 84 empresas brasileiras. Também em 2017, as fraudes no comércio do café geraram um rombo de R$100 milhões ao Espírito Santo.


Problemas como estes podem causar enormes prejuízos para toda a cadeia e gerar perdas, inclusive, para a economia brasileira. Afinal, o setor representa cerca de 23% do PIB do país, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA).
A blockchain pode ajudar a solucionar essas questões. A tecnologia permite acompanhar e registrar, em um banco de dados distribuído, seguro e imutável, todas as etapas de um produto – desde o plantio de uma safra de milho até a chegada ao supermercado, por exemplo. Outra forma de solidificar essas cadeias de distribuição é registrar na blockchain todas as certificações socioambientais dos fornecedores diretos e indiretos. Isso evita a participação de companhias em situação irregular, com casos de desmatamento, trabalho escravo e falta de certificados sanitários, entre outras.
Essa tecnologia também trabalha com o conceito de contratos inteligentes, os smart contracts, que são acordos programados em código e auto executáveis. Ou seja, se, no momento do recebimento do produto, algo estiver errado com a nota fiscal, com as quantidades ou com as certificações socioambientais, por exemplo, a própria rede impede o recebimento. A ideia é que toda a cadeia do agronegócio esteja envolvida nesses processos, mas ainda há um caminho árduo – e que depende de uma infinidade de envolvidos – para chegarmos a esse ponto.
Quando atrelada a dispositivos inteligentes, a blockchain fica ainda mais à prova de fraude, porque deixa de depender de um ser humano para inserir as informações. Para exemplificar: caso um caminhão frigorífico com um termômetro inteligente fique com a temperatura abaixo da indicada, a blockchain registra essa informação automaticamente e bloqueia a continuidade do processo. Por isso, dizemos que a Internet das Coisas (ou IoT, na sigla em inglês) casa perfeitamente com a blockchain. São sensores, leitores, drones e outros equipamentos capazes de apoiar a transparência e confiabilidade dos dados.
Ao ter todo o caminho do produto registrado, com informações confiáveis e provenientes de IoT, é possível, ainda, disponibilizar para o consumidor informações sobre a origem de determinada leguminosa, se houve uso de agrotóxicos, se as sementes são transgênicas, entre outras informações. Isso garante muito mais transparência a todo o processo e faz com que o cliente sinta segurança no que ele consome e nos locais onde ele compra seus alimentos.
No fim das contas, blockchain e dispositivos inteligentes atrelados ao agronegócio podem transformar a maneira como toda a cadeia se relaciona – do produtor ao supermercadista – assim como garantir a confiança do consumidor nos produtos e marcas que adquire.

Fonte: Portaldbo.com.br